Quando tempo ainda para regular a abertura das pupilas diante do céu mais aberto e o fluxo de águas do corpo em busca do equilíbrio desse lado de fora, seco, pesado às vezes, micropedaços de fumaça entrando pelos poros, a cortina não conforta o sol da manhã, já quente, desde o começo. O não-hábito, ando atenta o tempo todo, não me perder, não ser pega de surpresa, entrar nas ruazinhas curvas do bairro e nunca mais sair de lá, o labirinto protegendo sabe-se lá do quê, tantos carros, o calor. Atenta a tudo, mas é preciso distração às vezes. Pensar em outras coisas, no sonho da noite passada, ouvir qualquer coisa nos fones e andar automaticamente, às vezes é preciso andar automaticamente porque senão é isso, uma canseira de concentração que nunca passa, e o outro dia você não se lembra mais do tal projeto-em-construção porque a cabeça, a cabeça, a gente enxerga é mesmo com a cabeça, o corpo inteiro, o nariz, os olhos irritados, colírio, água corrente no rosto, mas e essa taquicardia, essa sensação, quando é, quando é que viver automaticamente voltará a me dar tempo para as outras coisas, ler aquela poesia, costurar as almofadas, escrever o romance.
(pensei até em abandonar esse blog. e aproveitar o aperto para escrever de verdade.)
Não abandona não.
Oi, Van! =D