vik muniz e uma tarde em curitiba

Crianças de açúcar, 1996.

Em todo primeiro domingo do mês, a entrada do museu oscar niemeyer é gratuita. Adoro ir nesses dias até lá. Não apenas para economizar os dois reais da meia entrada. Os espaços ficam cheios, mas, juro, não me irrito nada com toda aquela gente que (percepção preconceituosa minha) nunca deve pensar em arte durante a semana tirando fotos posadas diantes das telas bonitas. É isso. Tiram essas fotos com seus celulares porque acham bonito, ou interessante,  ou tão parecida com aquela capa dos Tribalistas…

Não entendo nada de artes plásticas. Minha percepção é a mesma da maioria. Tenho vontade de tirar fotos posadas mas nunca levo a câmera — e quem não tirou fotos dentro do cubo espelhado da exposição d’ Os Gêmeos?

Mas hoje fui ver o Vik Muniz. Putz, me emocionei. Isso aconteceu outra vez quando passando pela Calle Florida, em BsAs, caí numa exposição do Miró. Nesse dia confesso que chorei.

O Vik é um desses artistas contemporâneos que conseguem falar com o público. Esse público do dia dos museus de grátis. Te coloca no processo. A gente acaba fazendo arte com ele.

Nuvens, 2001
Nuvens, 2001.

Ultimamente tenho pensado nessas coisas batidas como sentido da arte e outras bobagens. Essa tal arte pra artista, esse status todo de sentar e ler Ezra Pound num boteco que toca jazz, sem contar todas as figuras embuídas do espírito crítico da biblioteca de humanas sempre prontos para desconfiar. Fora, ah sim, fora os românticos com quem travei um combate pacífico e silencioso há um bom tempo.

Uma coisa dentre todas essas que falo sem a menor cerimônia como se fosse a verdade eu garanto: não precisa ser um crítico frequentador de galerias para sacar as muitas camadas de significado de um série feita de açúcar (que ao mesmo tempo significam o doce das crianças e a amargura vinda da vida de plantadores de canas dos adultos das ilhas caribenhas) ou das séries feitas do lixo que cercam e alimentam tantos brasileiros.

Lixo

E além de tudo é bem bonito.

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