waterloo station

um romance em Londres se passaria na estação de Waterloo.

apressado, o narrador seguiria qualquer passageiro às 18 horas. A família de judeus ortodoxos (o que pensava aquela senhora com cabelos escondidos?), suas crianças com roupas duras e pretas, o colar de contas de plástico e letras hebraicas, os pingos de sorvete na parte clara do vestido preto. Voltavam da sinagoga, é possível.

eu voltava de camden town.

o narrador poderia olhar para os bancos opostos, seguir qualquer uma das meninas indianas que voltavam do trabalho, ou as italianas com mapas na mão, água e sacolas da Primark.

um romance sobre Londres seria um romance sobre os guetos, sobre as comunidades que se amontoam e tentam a todo custo manter um pingo de sua cultura no nome das lojas, nas burcas, nos saris.

tivemos um jantar indiano aqui em casa hoje em retribuição ao gulash austríaco de anteontem. comemos com as mãos, ouvindo as histórias de quem se lembra da avó pelo cheiro de páprika que fica nos dedos.

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