miranda july, sophie calle et alli

miranda

ou da série posts para minha psicanalista

a única mulher sem laços parentais que me fez chorar até hoje (excluo, portanto, tias, primas e mães) foi clarice lispector.

a hora da estrela foi um marco na minha vida literária. descobri que é possível se emocionar de verdade com um livro.

mas de uns tempos para cá, tenho me emocionado, não assim de chorar, mas de ficar por horas pensando sobre, com algumas artistas contemporâneas, principalmente essas corajosas, multimeios, cool.

do tipo que escrevem, filmam, fotografam e ainda batem um bolo.

em londres, vi umas obras da sophie calle numa exposição coletiva no Tate Modern. e me lembrei da exposição passada dela, a que fez partindo de uma carta de rompimento com o namorado.

é tão simples tudo isso. mas tão sincero. e, acima de tudo, tão corajoso. gosto muito também dos projetos da miranda july que descobri semana passada.

é um passo pequeno. curto, até.  mas em mim isso reverbera de um jeito muito forte. tenho sentido muita vontade. ao mesmo tempo muita insegurança. é uma insegurança física, que me cola os pés no chão, como um piche. fico enjoada, minha pressão cai. é aterrorizante.

a minha imagem mental narcísico-destrutiva é de um pequeno palco alto onde fico, dentro de uma caixa de vidro, mostrando umas cicatrizes sem aventura. ok, eu sei o quanto tudo isso é ridículo e dramático mas assumir talvez seja um passo.

mas o fato é que em cima desse palco não consigo escrever nada porque não acredito. não consigo sair do mesmo ponto, não consigo terminar nada que começo, não consigo assumir. só escondo o rosto com os braços e espero a luz sair de sobre mim.

e talvez seja a mesma coisa que me faz colocar os cabides sempre do mesmo lado no armário, o que me fez desistir daquele curso de desenho porque não aguentava mais rasgar o papel de tanto apagar.

quero o perfeito, mas entendi que é por ter certeza que ele não existe. por ter certeza que nunca será o suficiente. assim posso ficar nesse círculo de giz esperando o godot (que não virá) ou um ulisses imaginário enquanto desfio tudo que começo.

o problema é que me importo.

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One thought on “miranda july, sophie calle et alli

  1. o palco sempre é cruel. os únicos que sobrevivem neles são os que fingem ser outro. sugiro uma dose única de de desça pelas escadas e se sente na plateia com o bloco de notas e uma caneta (material de papelaria de primeira). e a descida começa tirando as mãos do rosto e procurando a escada.
    :>)

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