arte e sequência

banksy

me dei conta que os significados só surgem no tempo.

é pela justaposição que as trivialidades ganham caráter poéticos. os artistas urbanos entendem muito bem.

penduram sacolas nos braços esticados de cristo e passam a grande mensagem do natal. pintam uma criança feliz no muro da faixa de gaza. se não estivesse ali, no muro, isso diria muito pouco, talvez só o óbvio.

com a escrita funciona assim também. uma palavra, quando dita, organiza um conjunto de expectativa e memória. o trabalho do escritor é saber lidar com isso: expectativa e memória são na verdade as principais matérias-primas da escrita. na palavra em si há pouca poesia. a poesia só surge no tempo.

e há ainda momentos da vida cotidiana que surpreendem. e isto é uma anotação para me lembrar dessa cena.

foi um abraço de desculpa, de cessão. um gesto que na verdade dizia Desculpe, mas sou muito orgulhosa para apenas rir agora, prefiro ficar carrancuda até o fim da tarde.

mas foi um gesto de paz para a guerra mínima daquele domingo. sobre os ombros dele vi a sacola permanente no trinco da porta da cozinha.

“Vamos mudar nosso mundo juntos?”

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2 thoughts on “arte e sequência

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