poética das simplicidades

Clarice olha para o alto. Busca o mundo.

Clarice está na feira livre. Caminha entre as mulheres, os carrinhos de compras, as barracas. A feira é livre, mas Clarice, não.

Uma beterraba esmagada no chão atrai seu olhar, faz lembrar uma poça de sangue. Clarice acaricia uma batata, acha-a bonita, tanto que não tem coragem de comprá-la para não vê-la murchando numa cesta. Ovos. Peixes. Peras. Compra peras para enfeitar a casa. A feira para Clarice é uma natureza viva. Clarice ama a natureza, as frutas, as árvores.

[miranda, ana. clarice.companhia das letras, 1999]

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