variedade de silêncios

Quando li Azul-corvo, da Adriana Lisboa,  tinha vindo de Ribamar. Foi uma mudança bruta de velocidade. O livro do José Castello foi qualquer coisa de apaixonante e violento para mim. Li rápido demais, sei que perdi muito de sua musicalidade, está na pilha das releituras urgentes.

E Azul-corvo é outra coisa. Nas primeiras páginas, ainda com a inércia da velocidade de onde viera, o espírito se movimentava mais rápido que os olhos no texto. E as imagens pareciam suaves demais para minha expectativa.

Adoro aquela conhecida metáfora do Cortázar:  um romance te ganha por pontos. E minha peleja com a Adriana foi assim, uma briga delicada no tempo prorrogado.

Pois me acalmei aos poucos (inspire pelas narinas, sinta encher o diafragma e o ritmo cardíaco desacelerar). Meditativamente. E com olhos menos velozes e mais conscientes, com mais silêncio interior eu pude de fato aproveitar minha leitura.

E é de delicadeza que se fala ali. De sentimentos controlados apesar dos traumas. Controlados, não reprimidos.

Vanja tornou-se uma amiga, me compadeço de seu silêncio, da escolha do melhor momento de falar. O amor entre ela e aquele pai até então burocrático é daqueles amores de não dizer. Não precisam de palavras (de mãos dadas pelo ateliê, o conforto da tevê ligada baixinho no quarto do hotel).

Dessa pequena batalha fresca, a lição me foi os diferentes silêncios.

[leia um trecho do livro aqui]

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3 thoughts on “variedade de silêncios

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