Ver tudo à toa

Eu ia andando pela Avenida Copacabana e olhava distraída edifícios, nesga de mar, pessoas, sem pensar em nada. Ainda não percebera que na verdade não estava distraída, estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre. Via tudo, e à toa. Pouco a pouco é que fui percebendo que estava percebendo as coisas. Minha liberdade então se intensificou um pouco mais, sem deixar de ser liberdade.

[Perdoando Deus, em Felicidade Clandestina, Clarice]

Porque embora existam Clarice e Lhasa de Sela, as pessoas continuam a colocar o líquido errado na veia das crianças, os bebês são esquecidos no carro, o caminho entre a casa e o escritório é só um entre-lugar sem importância.

Tiram-lhe o emprego, suicida-se. Trabalha por tantas horas na fábrica que morre na esteira.

Aos poucos parece que a vida vira uma massa compactada sem contrastes.

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8 thoughts on “Ver tudo à toa

  1. É claro que existe aquilo a que chamam progresso,

    mas esta é uma das muitas mentiras que os homens de negócio espalham

    para poder extorquir dinheiro às massas com ainda mais insolência e impiedade.

    As massas são os escravos do nosso tempo,

    e o indivíduo é o escravo da vasta ideia que subordina as massas

    Já não há nada de belo, de excelente.

    Tens de ser tu a sonhar o que é belo e bom e honesto.

    Em Jakob von Gunten, Um diário.

    Tradução de Isabel Castro Silva.

    Obrigado por Lhasa de Sela

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