caixinha de música

 

Sábado levei minha mãe ao teatro. Fazia muitos anos que ela não saía à noite e talvez essa tenha sido a primeira vez que nós duas saímos para uma noite só nossa. O balé clássico e suas  bailarinas vestidas como as bailarinas de nossa memória foi um acerto. Estava encantada. Esteve encantada com tudo o tempo inteiro.

Há uns anos, ela tinha uma caixinha de música dessas com espelho e ímã. Sumiu, como muitas outras relíquias de sua vida. Levá-la a ver a bailarina solando, vestida como aquela de plástico branco que rodopiava ao som de alguma coisa de Beethoven (Für Elise, como no caminhão do gás), foi como se eu devolvesse a ela umas lembranças de infância, umas memórias daquilo que nunca fez parte de sua vida.

Mas o incrível mesmo foi conversar depois, no bistrô, onde tomamos uma taça de vinho. Eu ouvindo as histórias de quando nem era nascida, da mesma forma como conversamos com desconhecidos que aos poucos viram nossos grandes amigos.

 

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2 thoughts on “caixinha de música

  1. Momento invejável. Se eu levasse a minha mãe pro balé, talvez ela arrumasse algum jeito de criticar a dança, o figurino, a música, etc. Depois ela ia dizer que estava cansada e que preferia ter feito outra coisa. Momentos como esse com mães são raros no mundo. Sinta-se privilegiada.

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