recomeços

Eu gosto muito desses programas de curiosidades científicas, principalmente os que mostram com recursos gráficos e imagens reais a dimensão viva do que existe do lado de dentro. Porque aquela anatomia rembrandtiana, vísceras e carne morta, sempre me causou repulsa. Prefiro as simulações dos movimentos vitais.

Lembro-me particularmente do episódio que explicava o caminho cumprido pelo espermatozoide da concepção ao parto. Uma maratona minúscula de células ricas. Os espermatozoides iam como os peixes vão pelas correntes marítimas, não escolhiam o caminho. Uma miniatura do destino. Go, go, go! Que vença o melhor.  E o feto se formava num espaço sem gravidade, flutuava numa escuridão sem perspectiva semelhante ao universo. Pouco a pouco, as particularidades físicas se nitidificavam. Tudo partia de uma espécie de ovo onde se concentravam as características daquele humanozinho. Até que se podia identificar, só pelas imagens da ultrassonografia, o que de herança recebeu de cada parte da matéria-prima de que era feito, feita também de uma união de dois diferentes vezes dois e assim por diante. Uma diluição do primeiro homem. Uma nova chance.

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