própria imagem

The many faces of Cindy Sherman

 

Porque é preciso aceitar seus traços. Olhar cada deformidade, todas as assimetrias com o amor de uma mãe pelo seu filho um tanto torto. Olhar-se com compaixão, isso eu ensinaria a meu filho adolescente ou a minha mãe, que tem medo dos espelhos dos provadores desde que não tem mais a mesma medida de antes.

E falo isso porque me ocorreu que não nos acostumamos com nossa imagem. Talvez porque não temos diante de nós sempre um espelho e quando temos são os detalhes que nos interessam. Os olhos, a pele, as sujeirinhas dos poros, nunca o conjunto todo. Não há o distanciamento. Nem a recorrência.

Há também a insatisfação. A comparação com as demais faces do mundo só é possível quando vemos aquela fotografia um tanto maldosa, em qualquer ângulo desfavorável, que estampa seus defeitos achatados em duas dimensões. Há a comparação com a imagem que criamos com o tempo, um quebra-cabeça de lembranças e aquela, real, inegável.

Sem o frescor do jeito como mexemos os olhos, ou o tom de voz, ou as coisas que somos capazes de dizer toda beleza se resume à superfície de uma imagem chapada. E às vezes é pouco.

É preciso a cada manhã olhar-se com delicadeza e com a luz certa. Porque tudo é emanação.

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6 thoughts on “própria imagem

  1. é preciso não se culpar, é preciso amar a si mesmo, amar assim a si mesmo, a vida é doce e nossa alma é mais ainda, temos que curar a cegueira do belo que nos faz ver apenas o feio em nós mesmos.

  2. Espelho – Sylvia Plath
    Sou prateado e exato. Não tenho preconceitos.
    Tudo o que vejo engulo imediatamente
    Do jeito que for, desembaçado de amor ou aversão.
    Não sou cruel, apenas verdadeiro –
    O olho de um pequeno deus, de quatro cantos.
    Na maior parte do tempo medito sobre a parede em frente.
    Ela é rosa, pontilhada. Já olhei para ela tanto tempo,
    Eu acho que ela é parte do meu coração. Mas ela oscila.
    Rostos e escuridão nos separam toda hora.

    Agora sou um lago. Uma mulher se dobra sobre mim,
    Buscando na minha superfície o que ela realmente é.
    Então ela se vira para aquelas mentirosas, as velas ou a lua.
    Vejo suas costas, e as reflito fielmente.
    Ela me recompensa com lágrimas e um agitar das mãos.
    Sou importante para ela. Ela vem e vai.
    A cada manhã é o seu rosto que substitui a escuridão.
    Em mim ela afogou uma menina, e em mim uma velha
    Se ergue em direção a ela dia após dia, como um peixe terrível.

    Tive que citaire… hehe.

  3. Me falaram que eu sou muito engraçado andando porque eu pareço aquela preguiça Sid da Era do Gelo.

    Um dia me vi andando em vídeo e de fato eu pareço a preguiça Sid.

    Eu acho isso um aspecto muito fofo e carismático da minha singular persona.

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