anônimos

Hoje, voltando da casa de uma grande nova amiga, depois de umas conversas bonitas sobre arte, trabalho e cafés, lia um artigo muito bom de Ronaldo Entler que esbarrei sem querer.

Fala de fotografia, de realidade. De memória e do esquecimento

Lá pelas tantas, ele cita Régine Robin:

O que se deixa de uma vida normal? Traços em um cartório público, os registros de nascimento e de óbito, uma menção de diplomação no jornal local que indica as “conquistas” desse canto  do mundo, algumas pequenas coisas. Uma tumba num cemitério, uma lápide e, se o tempo não apagá-los, um nome, uma inscrição, datas. Se há uma descendência, alguns souvenires repassados à  família, algumas fotos, às vezes um punhado de correspondências em cartões postais. Em casos ainda mais raros, diários. Ao final de várias gerações, quando a lembrança se atenua, quando as concessões ditas perpétuas acabam por se tornar vencidas, não resta quase nada. Esta desaparição, esta absorção dos anônimos pelo vazio é a vala comum da humanidade.

 

Repetia para mim mesma a primeira frase, que me impressionou.

O que se deixa de uma vida normal?

Do lado de foram dois homens de uns quarenta anos abrindo grandes sacos de lixo atrás de alguma coisa vendável.

No banco de trás do ônibus, a senhora indignada: “Rasgam tudo o saco”.

 

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