da invisibilidade

Nos meus sonhos narrativos, sempre sou invisível, como um narrador em primeira pessoa. Vim pensando nisto hoje, que nunca saberei quem eu sou, a não ser pela biplanação dos espelhos (dentro ou fora das câmeras). Mas é uma artificialidade, um achatamento, uma distorção.

E confiamos a vida nos espelhos. Nunca vi quem saísse de casa sem antes passar por frente dele. Nem que fosse para amaldiçoá-lo.

A única vez que me vi em um sonho foi em uma imagem de espelho. Fiquei perturbada por semanas. Não me lembro com clareza da imagem, mas uma sombra dela ainda me vem. Então é essa a imagem de mim mesma no inconsciente? Nem lá consegui ter liberdade para me ver realmente de perto.

Meu pesadelo de infância: sobre um pequeno picadeiro em uma praça pública, desprotegida de qualquer cobertura ou máscara ou esconderijo. Todos os olhos diante de mim. Rindo. Hoje entendo que o terror é não saber do que riem. De que nunca saberei, nunca verei a mim mesma como eles me viram.

Sou invisível a mim mesma.

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3 thoughts on “da invisibilidade

  1. Não tenho palavras pra você e pra esse seu texto. A não ser que ele é a síntese do que eu sempre pensei sobre mim mesma, mas nunca tinha conseguido verbalizar. Dona Vanessa, fazer os outros se sentirem assim só pode ser arte, na sua forma mais pura.

  2. Lembra daquela cena do história sem fim em q o Atreyu tinha q se olhar no espelho depois do portal? Nossa! Eu morriiiiiiiiiiia de medo!
    Mas passei aqui pra dizer q adorei o texto! =P

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