a eternidade também vai para outro lado

E ouvia imensidão, milagre e eternidade, grandezas que minha imaginação de criança não sabia.

Imaginava o infinito a partir do lugar em que estava. De sob meus pés partia meu universo, em linha reta, simplificado.

Porque não alcançava o sentido do desde-sempre. Do não-começo.

Olhei para trás revendo as fotografias da família. Vendo o olhar distraído da minha mãe,  com todos os caminhos possíveis ainda abertos. O que esperava de sua vida? Que tranquilidade tinha na tarde de sua primeira comunhão? E que angústias?

Ia para o céu na eternidade. Mas a sua vida, ela mesma não tinha fim, não conseguia pensar nisso naquela época.

Ela  talvez ainda acreditasse no infinito. Na eternidade, que também fazia o caminho inverso, às minhas costas. E terminava paradoxalmente ali onde meu infinito começava.

A eternidade talvez seja esse novelo.

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