um impedimento no caminho

Me veio uma imagem da literatura de que tenho gostado mais nos últimos tempos. Que não seja imagem biplanar, mas escultura.

Tenho lido muita coisa feita de vida real. Sei que é questionável, talvez o mais fantasioso dos enredos esteja encharcado de verdade, ainda que não pareça real. Mas é justamente disso que falo, de verdade.

Uma escultura esconde um pedaço da realidade sob si, afasta o ar real com seu volume estético que, apesar da inutilidade, é feito das coisas que existem.

Uma escultura é um obstáculo, um impedimento no caminho. Te obriga o desvio, tira o comodismo do costume.

É feita de pedra, mármore e outros materiais inquestionavelmente densos e fortes. Porque falo aqui das esculturas clássicas, de uma generalização tridimensional.  Ainda que não me afaste do movimento e do equilíbrio de um Calder, prefiro pensar agora em Brancusi.

Uma literatura inútil mas que ocupe o real. Construída em muitos lados, esculpida. Uma literatura densa e ainda assim simples na forma, ainda sim concreta para quem quer que seja.  Uma literatura que alivie as formas das rochas e alise a superfície do concreto, que saiba se adaptar às intempéries das praças, às sujeiras das ruas, ao pó dos museus.

É essa literatura que busco. Concreta, real, inútil.

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