águas

Impressionante o que uma garoa faz em São Paulo. A chuva não chega a escorrer pelas têmporas, umidece apenas. Os cabelos ainda esvoaçam, os pingos natimortos são ainda mais leves que o ar. E mesmo assim, sob seus pés, formam-se espontâneas umas enxurradas impossíveis.

Entre as ranhuras microscópicas da pele, agradecida a essa altura pela limpeza do suor, pelo frescor, a água se espalha. Atravessando irritada a avenida, os óculos chapiscados da chuva, você nem percebe o universo liquefeito invadir os poros. A imperfeição da superfície de sua pele absorve.

Isso não faz a cidade. A água escorre pelas calçadas ignorada. A rua é maciça e dura e sobrevive ao tempo. Porque ignora-o, porque lhe é indiferente a água que flutua no vento, que acumula sobre as sombrinhas estampadas, os guarda-chuvas pretos.

 

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