crônica do ócio

Às duas horas de quinta, só os aposentados vão ao cinema. Também os artistas, os profissionais liberais e os desempregados. Os que estão de férias passando pela cidade. Os que tiraram a tarde livre.

Ao meio-dia, a rua está lotada. Os homens de camisa e calças de alfaiate, as mulheres  de camisa e calças de alfaiate. Apressam-se para almoçar.

A fila de espera angustia a fome e os olhos dos trabalhadores famintos desautorizam as reflexões digestivas.

Saciados e com pressa, cruzam por mim. Que aguardo sem saber onde pôr as mãos na fila do cinema a sessão das duas.

Estou encharcada da culpa calvinista. E não aceito meu ofício de bom grado porque temo.

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