o gato da caixa

Renhui Zhao

Pouco importa se a caixa escapa-lhe das vistas.

Se estática, presa em seu estado de coisa imóvel ela se torne súbito invisível. Pouco importa, afinal, que não se veja o gato. Que ninguém sinta sua presença, veja os olhos do gato.

Ele ainda existe em seu mistério. Suas angústias de gato, seus desejos, não se acalmarão só porque não se lembram mais dele.

Ao contrário. Abandonado às margens da narrativa, é possível que o gato, angustiado na caixa, tenha ele mesmo a consciência de sua vida de gato e passe a existir ainda mais já que existe também para ele mesmo.

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