trecho

Há uns anos, meu pai fixou-se no mar. E hoje sabe que seu destino é envelhecer na beira, morrer diante do imenso. Meu pai, tão não pescador.

É que não são peixes o que busca ali. Quer distrair seus olhos perdidos naquele horizonte fluido e impossível, na exata linha onde, ilude-se, percebe o céu esvaecer em oceano, silenciar-se diante dele sem ser incomodado, a praia sem atrativos numa tarde cinza, o vento carregando vilas de areia esquecidas desde a tarde ensolarada do último dia do verão.

É de areia, sal e água a estrutura de sua arca. É de sonho e expectativa. Meu pai constrói em silêncio uma arca que o levará ao fim do continente.

[continua]

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