dos intangíveis

Descrever um sonho não é o mesmo que descrever uma cena de filme. Não é o mesmo que burilar um verso, refazer um parágrafo. Não é feito de criatividade, o sonho.

A gente diminui a importância e o mistério do sonho quando o descreve. Na manhã seguinte, despeja água quente no coador e enquanto arruma a mesa, xícaras e facas, “noite passada tive um sonho. eu abraçava alguém com quem troquei uma ou duas palavras, mas consegui sentir o cheiro que ele tinha”, ela disse. “e que cheiro era esse?”, ele respondeu.

Tem quem se apaixone no tempo estranho e intermitente de um sonho. Não precisa que lhe visite outras vezes. Tem gente que se apaixona perdidamente enquanto dorme. E na manhã seguinte, enquanto despeja água no coador, “noite passada eu tive um sonho muito estranho, mas não me lembro direito”, disse. “mas acordei com uma saudade de luto e uma canseira de gozo, e sei que se pensar o dia todo para sonhar de novo, se der certo a tática, não será o mesmo homem que construirei”, pensou.

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