simultâneo

Não eram as imagens nítidas e claras que permitiam que a experiência fosse em tudo semelhante às sensações verdadeiras. Mas os outros sentidos, o cheiro, o peso do corpo sobre seu próprio corpo, o calor que lhe percorria sob as mãos dele, o gosto. Tudo concreto, sólido e ao mesmo tempo, a satisfação lhe preenchendo as ansiedades de uma só vez, simultâneo. Os músculos da perna se contraindo tensos.

E só depois de acordada que o perfume de sua memória se separou do cheiro de seu próprio corpo e do corpo do outro, que pôde ficcional, narrativo, refazer temporalmente o gozo do sonho. Porque este é o problema das palavras: dependem de um acúmulo linear, temporal, desfazem por seus limites emaranhados de experiência, diluem no discurso o que é eterno.

Porque não foram as mãos desatando os fechos e depois a boca mascando a língua, e depois a cama. Mas tudo somado em uma sensação viva apenas, única reação simultânea a todas as interferências simultâneas do corpo sonhado que era memória de vários corpos e seu próprio corpo pensado porque o peso das mãos era o de Nestor, mas não aquele gosto.

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