corpo outro

Este corpo é outro. Completamente novo.
Este corpo de agora já não te reconhece.
Já não sabe do teu cheiro. Este corpo
todo outro não tem mais fome do teu gosto.

Este corpo refeito, querido, este corpo
não é aquele corpo antigo. É outro
inteiro novo. Este corpo
é polido. É um corpo sem frisos.

Eu tenho agora um corpo novo
que nunca foi visto. O corpo
refeito é um corpo moço.
É um corpo sem vincos.

Este corpo em branco
é um corpo inteiro, limpo
é um corpo novo, curado. É um corpo
sem tatuagem. Sem cicatriz.

É um corpo inteiro, inteirinho novo
e é só meu este corpo agora.
Este corpo que não te reconhece. O corpo
é um corpo sem memória.

O que eu era está morto.

 

— fiz esse poema a convite da Carina, da Confraria dos Trouxas.

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