um silêncio impossível

Nelson Felix (4 cantos)
  • Assisti hoje a uma entrevista com o escultor Nelson Felix. Ele reiterou o quanto pensa de maneira gráfica, o quanto desenha compulsivamente e é assim que seus pensamentos se organizam, não no discurso, mas graficamente, em linhas, nos traços de seus desenhos.
  • Lourenço Mutarelli ficou um bom tempo sem desenhar até que os traços das escritas automáticas e livres de seus lindos e perturbadores cadernos foram virando personagens e cores e cenas.
  • Numa casa pequena com paredes finas às vezes escrever é mais fácil que ler.
  • Nunca me interessei em desenhar mas conhecia a forma das letras desde os três anos.
  • Meu pai comprava livros de banca de jornal sobre os pintores e escolas artísticas da Europa.
  • Mas ele não pintava muito nos anos 90 e seus quadros aparecem em duas ou três fotos de minha infância. Mas eram fotos tristes.
  • Às vezes tudo é muito: trabalhar lendo, emendando textos enquanto se é superinformada com toda a espécie de bastidores e engodos de um minimercado com ares de atacado de luxo.
  • O que move no mundo um esforço íntimo, um movimento apenas do meu pensamento, uma frase escrita num sulfite ordinário?
  • O que move em mim?
  • Durou umas quarenta horas minha greve de escrita.
  • A segurança  é feita de ingenuidade.
  • E não ser por muitas razões ingênua com a literatura é ser menos ingênua com o mundo e isso é bom.
  • Eu queria saber: como se começa a abrir os braços, a sentir que a escala do mundo não é a escala do corpo humano?
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