mind the gap

 

 

 

[…]

e depois de responder aos e-mails do editor e da imprensa e de dar entrevista àquele suplemento literário do principal jornal da cidade, de receber os fotógrafos em sua casa, que insistiam em fazer o tradicional retrato na frente da estante, depois que tudo se acalmasse, o dia, a adrenalina, as memórias felizes, numa manhã mais silenciosa, já recuperado do fuso horário, da euforia, sem qualquer novidade para compartilhar, Nestor pousaria uma caneca de café sobre a escrivaninha, abriria um novo Documento 1 do Word e se angustiaria, por mais de três horas, os pés dormentes, as costas doloridas, diante do cursor que, sob o mesmo ritmo monótono e intermitente, o desafiaria a assumir naquela hora sem sinos, sem sexo, que sua vida era feita também, senão fundamentalmente, desses intervalos em branco.

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