Marinha II

E chegou diante do mar, mas o vazio não se esgotou. Diante do oceano é o mesmo homem e também outro, agora que sem esperança, agora que sem expectativa. Vamos morrer, pai, eu e você talvez ambos diante do mar, talvez cada um em sua casa em pontos diferentes do tempo. Vamos morrer, eu e você, e tudo não parece, diante disso, diante do mar, nada parece diante disso muito exato e nem um pouco feliz. Vamos morrer, pai, porque não existe esta vida de propaganda que cobria o silêncio da sala da minha infância. Vamos, pai, aprender com os antigos este sendo cada segundo uma fatia finíssima de toda a vida do universo e do outro, toda a força com que se retrai o mar, antes de molhar os seus pés, um pedaço dessa vida toda que de tão silenciosa que é às vezes parece nos deixar sozinhos.

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