anunciação – processo #1

“Ela perturbou-se com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado.” (Lucas, 1, 29)

 

Um livro tem o tempo que representa e o tempo da leitura. E tem também o tempo de sua fatura. No caso do Anunciação, há ainda o tempo das desistências e tem o silêncio, tempo esse em que a Terra do lado de fora dele não parou de girar assim como não parou seu processo de vida/morte o meu corpo dentro deste planeta, neste universo.

Porque o corpo que crescia fora dele, enquanto suas primeiras páginas continuavam esquecidas no computador, é um corpo fértil, que amadurecia. E ao mesmo tempo um corpo que tentava entender um não sei quanto de vazio e de estranhamento. E, sobretudo, um corpo que sentia um desconforto imenso em escrever mas que no entanto desejava.

E este livro já foi outra coisa, muito diversa. Assim como eu era outra. E não consigo mais saber quando exatamente eu comecei a pensar nas primeiras linhas dele. Mas sei que tudo mudou, o livro todo mudou, quando descobri que ele se chamaria Anunciação. E que por causa dessa escolha, inevitavelmente, ele dialogaria com algumas coisas muito complicadas.

Há inúmeras representações da Anunciação da Maria na tradição. E em quase todas elas, um vazio, um anteparo. Uma impossibilidade.

Anunciação do Botticelli

 

Anunciação do Fra Angelico
Anunciação da Maria Martins
Anunciação do Leonardo Da Vinci
Anunciação do Richard Long
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Anunciação do Pedro Franz
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