hoje, depois das sete

Hoje depois das sete eu quis fazer um poema que falasse do corpo da gente um poema que eu leria em voz alta gravando uma mensagem enquanto percorreria as pequenas ruas vazias e frias dessa minha cidade onde agora é verão e que eu.
Um poema que falasse tudo o que a gente não consegue dizer, que a gente não consegue dizer mais que a gente ainda não.
Um poema feito do sangue sem violência, dos músculos, dos ossos articulados, do movimento dos braços, dos quadris, da pele que esconde os nervos, os vazios por onde passa a memória, as noites tristes e também esse tipo especial de não amor.
Hoje depois das sete eu quis escrever uma carta, um roteiro, os passos de uma viagem, um cronograma do futuro.
Hoje depois das sete eu quis dizer que o amor comeu meu endereço, meus cartões de visitas, todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O meu medo e também minha vontade da morte.
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