minério que dança [wip]

Debaixo da saia tem o corpo e dentro do corpo só tem osso

É minério como lápis, palavra, sismo

É o mais perto que da eternidade das rochas o corpo

É minério como as páginas de um livro

 

O osso é o corpo sem o que do corpo faz

Corpo e osso e fome e vestido

De corpo é como mostramos os ossos

O corpo é isso que rodeia os ossos

O corpo é isso que hoje não dançará

 

Debaixo do corpo tem os ossos vestidos de tempo

Debaixo do tempo as articulações das gavetas, arestas, buzinas,

De uma cidade sem silêncio e de pedras e fria

De uma cidade que é minha ainda

 

Ossos são rochas fracas que se partem com o tempo

O tempo é isso que desmancha as pedras

O tempo é isso que desfaz o abraço

O tempo reparte uns corpos,

 

Na queda uns ossos, as descosturas de uns livros

Vale-abismo entre os picos de um eletrocardiograma

A quietude dos terremotos, o silêncio sísmico

É o osso do tempo que dança comigo

 

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